Na separação de um casal uma das preocupações deve ser a preservação do
estado psicológico dos filhos. Muitas vezes os pais entram em guerra e
usam os filhos para atingir um ao outro. Esse tipo de comportamento,
chamado de alienação parental, pode ser punido na justiça.
Uma olhar para a Psicologia Jurídica
domingo, 6 de maio de 2012
Tipos de violência doméstica
Violência física: é qualquer ato contra a integridade ou saúde corporal da vítima.
Violência psicológica: é qualquer ação que cause prejuízo psicológico, como humilhação, chantagem, insulto, isolamento, ridicularização. São também considerados dano emocional e controle de comportamento da mulher.
Violência sexual: é aquela que força a mulher presenciar, manter ou participar de relação sexual indesejada. Impedir o uso de método contraceptivo ou forçá-la à gravidez, aborto ou prostituição mediante força ou ameaça, também se enquadram neste tipo.
Violência patrimonial: São situações quando o agressor destrói bens, documentos pessoais e instrumentos de trabalho.
Violência moral: Caluniar, difamar ou cometer injúria contra a mulher
Fonte: http://mulher.terra.com.br/noticias/0,,OI3187809-EI16610,00-Tipos+de+violencia+domestica.html
Uma mulher é agredida a cada 5 minutos no Brasil
Em quase 70% dos casos, quem espanca ou mata a mulher é o namorado, marido ou ex-marido
Esta semana, o Ministério da Justiça recebeu um relatório preocupante sobre a violência contra a mulher no Brasil. A cada cinco minutos, uma mulher é agredida no país. Em quase 70% dos casos, quem espanca ou mata a mulher é o namorado, marido ou ex-marido. Qual é o estado brasileiro onde mais ocorrem assassinatos de mulheres? E o que está sendo feito para acabar com tanta barbaridade?Namoradas, noivas, esposas - não importa. “Me arrastou pelo cabelo, me jogou dentro do banheiro, enfiou minha cabeça dentro do vaso, me bateu muito, me chutou”, lembra uma vítima. A cada cinco minutos, uma mulher é espancada no Brasil. “Eu vi a morte na minha frente. O vi pegando uma faca e vindo para o meu lado”, conta a vítima.
Pode ser uma recém-casada, grávida de seis meses: “O último que ele ia me dar ia ser na barriga, porque, a todo momento que ele dava uma paulada, ele falava que ele ia me matar”, diz uma mulher.
Pode ser alguém apanhando em silêncio por mais de dez anos: “Aquilo já virou tão rotina, que você não conta mais quantas agressões foram, se foram três em um mês, se foram dez”.
Nem a polícia consegue evitar. “Infelizmente, determinados homens botam na cabeça que a mulher é um objeto dele, que pertence a ele, que ele pode tudo sobre ela, que ele pode bater, que ele pode brigar e que ele pode até matar”, afirma o delegado Adroaldo Rodrigues.
O mapa da violência de 2012, pesquisa coordenada e recém concluída pelo sociólogo Júlio Jacobo, mostra uma clara diferença entre assassinatos de homens e mulheres: “Homem morre primordialmente na rua. Homem morre primordialmente por violência, entre os pares, entre os jovens, na rua. Mulher morre no domicílio, na residência”, explica Jacobo.
Ao todo, 68% das mulheres que procuraram o Sistema Único de Saúde em 2011 para tratar ferimentos disseram que o agressor estava dentro de casa. Em 60% dos casos, quem espanca ou mata é o namorado, o marido ou ex-marido.
Para assistir a matéria completa (exibida pelo Fantástico dia 06/05/2012) clique aqui
Mapa da Violência 2012
MAPA DA VIOLÊNCIA 2012
OS NOVOS PADRÕES DA VIOLÊNCIA HOMICIDA NO BRASIL
O estudo analisa os últimos 30 anos de violência homicida no país e verifica profunda mudança nos padrões históricos. Aponta as principais características da evolução dos homicídios em todo o país: nas 27 Unidades Federadas, 27 Capitais, 33 Regiões Metropolitanas e nos 200 municípios com elevados níveis de violência. Em planilhas anexas nesta página, constam os dados da violência dos 5565 municípios brasileiros.
Para acessar so site clique aqui
Entrevista com Alba Abreu Lima
Por Consuelo Pereira de Almeida. Revista MARRAIO da Infância à adolescência. RJ, Rios Ambiciosos, 2001
M. - Qual o trabalho do psicólogo jurídico
A. - Trata-se na realidade de psicologia aplicada, na qual o saber do profissional se articula ao conhecimento jurídico, buscando estabelecer um diagnóstico ou mediar as situações apresentadas: adoção, abuso sexual, divórcio, guarda dos filhos, regulamentação de visitas etc. O psicólogo procura fornecer ao juiz uma avaliação em forma de parecer, para que seja tomada a decisão mais próxima do interesse da criança e do adolescente.
M. - Qual a contribuição que seu trabalho pode trazer para a pesquisa sobre o problema de maus-tratos de crianças por parte dos pais?
A. - Nosso trabalho visa, em primeiro lugar, uma retificação da posição do sujeito em face do que ele nos apresenta como sua realidade. Na maioria dos casos, a rotina das crianças atendidas é extremamente parecida com aquela caracterizada na Idade Média: elas vivem por sua própria conta e risco, expostas aos mais variados perigos e à insanidade dos adultos que a circindam, até mesmo quando são deixadas o dia todo diante da televisão, sem que um Outro lhes traduza o que não conseguem compreender.
Em uma separação litigiosa, os pais, amorosos e solícitos durante o casamento, passam a usar os filhos como munição para a guerra narcísica contra o parceiro, e mesmo os mais preparados culturamlmente cometem verdadeiras atrocidades com a intenção de destruir o ex-cônjugue. Nesse sentido, a violência doméstica pode ser definida como o conjunto de atos ou omissões que seguem uma mesma linha de raciocínio: a desigualdade na relação de subordinação. Os atos violentos ou negligentes, sempre constrangedores, via de regra, são praticados pelas pessoas mais próximas das criança, em quem ela confia integralmente. Nossa intervenção é pautada no fundamento psicanálitico de que a criança deve sair da condição de objeto de gozo do Outro e obter um lugar de sujeito de direito. De certo modo, nossa contribuição é mais prática do que teórica, e constitui um amplo campo de pesquisa.
M. - Quais os principais impasses no que diz respeito a adoção?
A. - A psicanálise está sustentada pela trama de Édipo e por sua tragédia incestuosa decorrentes das implicações de sua adoção. Atualmente, a adoção, é muito mais complicada que em sua forma clássica, que visava a garantia de descendência, porque está ligada a aspectos sociais: dar uma solução ao problema da criança abandonada.
A adoção de crianças de mais de dois anos, chamada de adoção tardia, é de difícil aceitação porque a criança já possui uma história traumática de abandono. Com isso, elas acabam institucionalizadas e condenadas a um futuro quase certo: a marginalidade. A aplicação da lei, a meu ver, deveria ser mais dura com os pais que negligenciam os filhos desde o início da vida, para permitir que as crianças fossem adotadas em idade precoce, mesmo correndo o risco de pôr em conflito o público e o privado. O ideal seria que não existisse abandono e, consequentemente, adoção. A adoção de crianças maiores - normalmente translinguística - gera um duplo abandono: dos pais e do país.
Enfim, entendo que a proteção da criança deve ser soberana, e que aintervenção do Estado para salvaguardar seus interesses é cabível.
M. - Quais os maiores problemas do adolescente na família?
A. - Os adolescentes que atendemos são quase sempre peças de conflito: na separação dos pais, nos pedidos de guarda ou nos casos de abuso sexual pelos pais ou por terceiros. É muito comum que problemas graves sejam revelados durante as entrevistas. Em uma regulamentação de visitas, por exemplo, aparece um padrasto que abusa sexualmente da enteada mais velha; em um requerimento de guarda pelos avós, descobre-se que a adolescente foi adotada, e que nunca lhe disseram a verdade; há até memso casos de uso de drogas.
A família normalmente é falha, e os adolescentes denunciam esta fenda. Quando se oferece uma escuta diferenciada, mais além dos ditos, as respostas aparecem como irrupção de restos guardados e nunca falados entre pais e filhos. A dificuldade de intervenção surge quando as partes permanecem ecrudescidas, sem aceitar o encaminhamento ou mesmo um encontro com o fato traumático.
M. - Em que a psicanálise pode contribuir para esse tipo de trabalho?
A. - Não compreendo um trabalho que aborde a estrutura familiar sem passar pelo conhecimento do Complexo de Édipo e de todas as implicações do desejo inconsciente. A psicanálise amplia a perícia forense porque leva em consideração a subjetividade e suas determinações inconscientes do sujeito não examinadas pela razão jurídica. A lei, por meio do ato jurídico, organiza, limita e barra o excesso de gozo nas relações entre os homens, através do ato jurídico. O psicanalista advertido por Freud em "O mal-estar na civilização", de que esse gozo é próprio ao humano, vincula sempre o desejo à lei. Se falamos de um auxílio ao jurídico, é no sentido de demonstrar que a verdade é não-toda.
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